29/03/2012 21:29
Depois de um ano turbulento, a Nokia do Brasil está ampliando suas apostas para 2012. Uma delas é recuperar ainda este ano a liderança do mercado de smartphones. A recém lançada linha de aparelhos Lumia, a primeira com sistema operacional Windows Phone, promete lhe dar mais agressividade nessa trajetória. Mas quando se trata de manter o nível de exportações é na linha Asha que a empresa coloca suas fichas. E em termos de desempenho, a subsidiária brasileira não teve muito que reclamar depois de ter pulado três posições e se tornado o terceiro maior mercado do grupo mundialmente.
Sob forte ataque, a Nokia conseguiu fechar o ano como líder do mercado geral de terminais, de acordo com seu presidente Almir Narcizo. Mês a mês, ela e a Samsung disputaram essa liderança e a margem da primeira colocada não ficou muito distante da segunda. Mas não teve a mesma sorte na área de smartphones e a rival coreana levou a melhor.
"Mas agora isso muda com os nossos modelos Windows Phone" acredita o executivo. A empresa anunciou o lançamento para o mercado brasileiro de dois dos quatro modelos disponíveis com Windows Phone, os terminais Lumia 710, produzido no país, e o 800.
As turbulências não tiraram da Nokia Brasil os bons resultados financeiros e a empresa garantiu um crescimento de 26% ao atingir 1,2 bilhão de euros. Na terceira colocação no grupo, a subsidiária brasileira só ficou atrás da China e da Índia.
Para voltar a brigar para valer em smartphones, onde os modelos Symbian não garantiam mais competitividade, a Nokia levou cinco meses para preparar a produção do Lumia 710 em Manaus. E antecipou o início da produção para fevereiro a fim de garantir que em março, quando o produto fosse lançado e as fortes campanhas publicitárias tivessem início, as operadoras e o varejo estivessem abastecido. Com isso, driblaria um dos principais problemas de outro forte concorrente, o iPhone, que sempre está em falta nos canais de distribuição após o anúncio de novas versões.
No entanto, essa antecipação fez com que o modelo produzido em Manaus não tivesse atingido todas as exigências protocolares de alguns componentes para serem exportados. Isso deu espaço para que a fábrica mexicana, uma rival interna da unidade industrial de Manaus, ficasse responsável pelas vendas do Lumia para a América Latina.
Narcizo sabe que não será fácil desbancar o México quando todas as exigências forem cumpridas e Manaus estiver apta para exportar para os países vizinhos. Por enquanto, para cumprir a meta acordada com o governo brasileiro de exportar 10% de sua produção, a Nokia se voltou para a família Asha, uma linha intermediária entre celulares e smartphones que também tem demanda no mercado brasileiro.
Segundo o presidente da empresa, os modelos Asha têm uma boa aceitação em vários países latino-americanos, como Colômbia e Equador. Essas vendas, entretanto, ficarão sem o mercado argentino que para atender a uma orientação do governo passou a produzir celulares na Terra do Fogo.
Outro desafio que a empresa tem pela frente é conquistar os desenvolvedores para ampliar seu portfolio de aplicativos, hoje com aproximadamente 70 mil aplicações disponíveis em todo o mundo. O trabalho de convencimento de que o Windows Phone se tornará o terceiro grande ecossistema, enfrentando o poderia das prateleiras de aplicativos dos sistemas iOS, da Apple, e o Android, já começou.
Junto com a Microsoft, a Nokia vai investir em um centro de desenvolvimento de aplicativos na Finlândia, batizado de AppCampus, e que se propõe a criar uma nova geração de start ups. Em São Paulo, a empresa realizou na semana passada o Developer Day que surpreendeu pela aceitação. " Esperávamos cerca de 200 desenvolvedores e tivemos 650", observou Narcizo.
No Brasil, um grande apoio virá também do INDT (Instituto Nokia de Tecnologia), que conta, atualmente, com 200 pesquisadores. Com aplicativos premiados, o instituto já trabalha com a versão de várias aplicações para o sistema operacional da Microsoft.
Em sua segunda visita a Manaus, o vice-presidente global de mercados da Nokia, Niklas Savander, também ressaltou a importância do INDT. Ele observou que a empresa vive um momento muito interessante e como um dos marcos que atingiu citou o lançamento feito esta semana, na China, de dois novos modelos Lumia.
Investimentos na Fundação Nokia
Como parte de sua estratégia de incentivar a formação técnica em Manaus, a Nokia anunciou hoje que vai investir R$ 40 milhões na ampliação da Fundação Nokia de Ensino, classificada em oitavo lugar entre as escolas técnicas do país. Da atual capacidade para 1.500 alunos passará para 3.500, de 27 professores irá para 60 e de 13 salas de aula para 27. A área do novo campus será de 14 mil metros quadrados quase o triplo dos 5mil metros quadrados em que opera hoje.
Wanise Ferreira, de Manaus. A jornalista viajou a convite da Nokia.
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