01/08/2012 21:30
Duas tecnologias complementares às redes móveis estão em testes pelas operadoras brasileiras, que buscam alternativas para escoar o tráfego de dados. Soluções de Femtocell, que consiste em pequenas antenas que melhoram a cobertura da rede móvel em ambientes indoor, e de microcélulas (pequenas estações radiobase) vem sendo usadas experimentalmente por algumas delas, segundo informa o presidente da Alcatel Lucent, Jônio Foigel.
No caso da Femtocell um dos clientes é a Vivo, cujo controlador, o grupo Telefónica, fechou um contrato com a Alcatel Lucent com abrangência para a America Latina. Além da Vivo, outras duas operadoras testam a solução, que aguarda a chancela da Anatel para comercialização no mercado brasileiro. “Já iniciamos o processo de homologação da tecnologia”, explica Foigel.
O impasse quanto à Femtocell, no entanto, é regulatório e envolve a própria definição do equipamento usado para espalhar o sinal de banda larga móvel no ambiente. A Anatel ainda não sabe se qualifica o dispositivo como um terminal ou como uma estação radiobase. A dúvida parece simples, mas envolve uma série de variáveis, a começar pela cobrança de Fistel (Fundo de Fiscalização das Telecomunicações) a que estaria submetido o serviço no caso de definição como estação radiobase.
As soluções de microcélulas da Alcatel Lucent também estão sendo testadas por três operadoras no Brasil, que Foigel não revela o nome. Ele aponta a tecnologia como alternativa ao estrangulamento das redes, principalmente diante da dificuldade para instalação de novas torres e antenas nas grandes cidades.
O cenário de investimento experimentado no Brasil, aliado à expectativa em relação a novos contratos, incluindo de quarta geração, dá à Alcatel Lucent uma posição na América Latina bem diferente daquela vivida pela companhia nos Estados Unidos e na Europa. Na semana passada, a empresa anunciou resultados fracos para o trimestre e alertou para a necessidade de cortar mais cinco mil pessoas globalmente para reduzir custos. Os cortes não atingirão o Brasil, onde a empresa está contratando, de acordo com Osvaldo di Campli, presidente da Alcatel-Lucent para o Caribe e América Latina (CALA). “A situação macroeconômica da América Latina é diferente da Europa e dos Estados Unidos. Aqui, todos os mercados crescem, ainda que de forma distinta”, disse ele.
Marineide Marques
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