Ericsson critica uso de femtocells para solucionar problemas de qualidade das operadoras

Empresa defende a utilização de redes integradas com hotspots WiFi

15/08/2012 22:07


Em um momento que muitos têm defendido o uso de estações radiobase com pequenas células, também conhecidas como femtocell e que permitem ampliar o alcance em áreas internas, para que as operadoras possam vencer os desafios de expansão e qualidade a Ericsson é uma voz contrária. "O uso de femtocells vai causar muito mais problemas do que solução", contesta Lourenço Coelho, vice-presidente de marketing e estratégia para a América Latina. A empresa não possui essa solução em seu portfolio e, segundo o executivo, essa foi uma escolha da companhia a partir dos testes realizados na Cidade do México.

"Nós comprovamos em nossos trials que essa não era uma solução viável e descartamos o seu uso", observou, se defendendo de possíveis acusações de estar criticando um produto que a Ericsson não possui em seu portfolio. Ele enumera vários problemas que podem afetar as operadoras com o uso do femtocell, entre os quais um impacto sobre seus business case. "Como colocar na casa das pessoas um ativo tão importante como estações radiobase que utilizam espectro licenciado e pelo qual a operadora pagou muito caro pela sua utilização?", questionou.

O executivo também questionou problemas de cobertura limitada que, de acordo com ele, não ultrapassa 50 metros. "E ainda há problemas de interferência com outras femtocells e com a própria estação radiobase macro. Elas não trabalham com coordenação com a macro", ressaltou. Outro problema relacionado por Coelho envolve a falta de padronização das femtocells, um processo que está em andamento nos órgãos certificadores. Com esse cenário, ele acredita que ela será uma solução para nichos de mercado e não para ser utilizada em maior escala.

Na avaliação do executivo, os problemas de qualidade assim como os de expansão das operadoras será melhor resolvido a partir de redes integradas que trabalham com uma combinação de estações macro, micro e as chamadas picocells, além de hotspots WiFi para auxiliar em áreas com um tráfego mais denso. "Os hotspots WiFi trabalham com espectro não regulamentado e podem ser colocados em locais públicos, ao contrário das femtocells", ressaltou.

Algumas operadoras brasileiras começam a testar as femtocells para resolver congestionamentos de tráfego em suas redes de dados e garantir a cobertura indoor. Uma delas, a Vivo, têm planos de implementar a solução em maior escala assim que ela for regulamentada. A Oi, uma das operadoras punidas recentemente pela Anatel por problemas de qualidade, solicitou à agência agilidade na regulamentação dessa alternativa para amenizar as dificuldades de instalação de novas antenas.

Wanise Ferreira

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